Trilema (Trindade Impossível)
A lei de ferro da macroeconomia aberta, formalizada a partir de Mundell e Fleming: nenhum país sustenta, ao mesmo tempo, câmbio fixo, livre movimento de capitais e política monetária autônoma. Escolhem-se dois; o terceiro é a conta. Com capital livre e câmbio fixo, o juro vira refém da defesa da paridade; para ter juro próprio e capital livre, o câmbio precisa flutuar; juro próprio com câmbio fixo exige fechar a conta de capitais.
Exemplo Prático
O Brasil de 1995-98 escolheu câmbio administrado com capital aberto, e pagou o trilema em juros de 40% defendendo a âncora, até janeiro de 1999 forçar a troca: câmbio flutuante, capital livre, e enfim uma Selic a serviço da inflação doméstica, o arranjo que vigora desde então.
PlatomAI Explica
O trilema é o triângulo onde só cabem dois: a restrição que nenhum discurso revoga, apenas escolhe onde dói. Ele é a chave de leitura de meio século de regimes cambiais, do padrão-ouro à China, e do nosso próprio 1999: a âncora não caiu por azar, caiu por aritmética, sustentá-la exigia entregar o juro, e o juro entregue custava o país. Toda promessa cambial deve ser lida contra o triângulo: qual dos três vértices ela finge que não existe?