Plano Brady
A dívida que virou papel, e o papel que virou mercado: o Plano Brady foi a solução da crise da dívida latino-americana, trocar os empréstimos bancários impagáveis dos anos 80 por títulos negociáveis com desconto ou alívio de juros, parcialmente colateralizados por Treasuries. O Brasil fechou seu acordo em 1994, encerrando a era da moratória desta casa, e os bradies, com o C-Bond à frente, fundaram o mercado secundário de dívida emergente.
Exemplo Prático
O banco credor que carregava empréstimo brasileiro ilíquido e podre trocou-o por bonds com menu de descontos e garantia parcial: perdeu parte, ganhou liquidez e página virada. O país trocou a mesa eterna de renegociação por um mercado onde sua dívida passou a ter preço diário, e o preço, a disciplinar.
PlatomAI Explica
O Brady é a engenharia que transformou um impasse de década em ativo financeiro: securitizou o problema, e a securitização, aqui, foi a cura. Ele fecha a trilogia que este glossário armou, petrodólares que endividaram, moratória que travou, Brady que destravou, e sua lição institucional ficou de herança: dívida soberana com preço de mercado é dívida com termômetro público, e o EMBI que hoje mede nosso risco-país é, em linha direta, neto dessa solução.