Moedas de Privatização
O apelido dos títulos da dívida pública (securitizados, de renegociações e programas diversos) aceitos como meio de pagamento nos leilões de privatização dos anos 90, geralmente com deságio no mercado secundário. Permitiam ao governo abater passivos antigos e aos compradores pagar ativos reais com papéis adquiridos abaixo do par, uma engenharia que turbinou a participação nos leilões e rendeu polêmicas duradouras sobre o preço efetivo das vendas.
Exemplo Prático
Um investidor comprava no mercado, por 60% do valor de face, um título elegível, e o entregava pelo valor cheio no leilão de uma estatal: o desconto do papel virava, na prática, desconto no ativo, e a União trocava dívida velha por empresa vendida.
PlatomAI Explica
Foi a arbitragem institucionalizada entre dois preços do mesmo Estado: o valor de face que a União prometia e o valor de mercado em que sua promessa negociava. As moedas de privatização são um espelho honesto e desconfortável: o deságio dos papéis media a desconfiança na promessa pública, e os leilões converteram essa desconfiança em metal, aço e telefonia. Poucas engenharias resumem tão bem os anos 90 brasileiros.