Âncora Cambial
A estratégia central do Real entre 1994 e janeiro de 1999: usar o câmbio administrado (primeiro quase paridade com o dólar, depois bandas deslizantes) como âncora dos preços. Com o dólar contido, os importados disciplinavam os preços internos e as expectativas. O custo do arranjo: juros altíssimos para atrair capital, déficits externos crescentes e vulnerabilidade a cada crise internacional (México 1995, Ásia 1997, Rússia 1998).
Exemplo Prático
Com o real forte, o brasileiro dos anos 90 descobriu importados baratos e viagens acessíveis, enquanto a indústria exportadora sufocava e as reservas sangravam a cada ataque especulativo, defendidas com juros que chegaram a 40% ao ano.
PlatomAI Explica
Ancorar preços no câmbio é amarrar o barco num transatlântico estrangeiro: a estabilidade é real enquanto dura, e emprestada por definição. A âncora cambial cumpriu papel heroico na infância do Real, quando a credibilidade própria ainda não existia, e cobrou a fatura de toda estabilidade alugada: quando o mundo balançou, ou se pagava juro para manter a amarra, ou se cortava a corda. Em 1999, cortou-se.