Renda fixa é sempre fixa ?

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Renda Fixa

Primeiro, o que a renda fixa realmente tem de fixa: a regra. Como você viu no guia Como começar a investir, renda fixa é o território do empréstimo. Você empresta dinheiro para o governo ou para um banco, e a regra da devolução é combinada no primeiro dia. O que muda de um título para outro é qual regra foi combinada. E existem dois combinados principais.

Combinado 1: acompanhar a taxa do dia (o pós-fixado)

Aqui, a regra diz: este dinheiro vai render conforme uma taxa de referência da economia, em geral a Selic ou o CDI, que anda colado nela. O seu saldo cresce um pouquinho todo dia, sempre no ritmo da taxa vigente. Se a taxa sobe, o ritmo acelera. Se cai, desacelera. O saldo nunca anda para trás, e é por isso que esse combinado parece "fixo" na experiência de quem olha o aplicativo: só sobe, devagarinho. É o território onde costuma morar a reserva de emergência. O que você não sabe de antemão é o número final, porque ele depende do caminho que a taxa fizer.

Combinado 2: travar o número no primeiro dia (o prefixado)

Aqui a regra é o contrário: uma taxa cravada, digamos tantos por cento ao ano, valendo do início ao vencimento, aconteça o que acontecer com a economia. Quem segura até o fim recebe exatamente o combinado. Certeza total no destino.

Então por que o prefixado surpreende tanta gente? Porque a certeza vale para o destino, não para o caminho. Todos os dias, o mercado negocia esses títulos entre investidores, e o preço deles muda conforme os juros da economia se movem. Se você precisar vender antes do vencimento, recebe o preço daquele dia, que pode estar acima ou abaixo do que você pagou. Sim: dá para perder dinheiro saindo antes da hora de um título de renda fixa. Esse sobe e desce do preço tem nome, marcação a mercado, e está explicado no Glossário.

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O pós-fixado é como uma conta com reajuste automático: acompanha o presente, sem sustos no caminho. O prefixado é como um aluguel com valor travado por cinco anos: no fim do contrato, o combinado se cumpre ao centavo, mas se você tentar repassar esse contrato no meio do caminho, o valor dele depende de como estão os aluguéis hoje.

E qual dos dois escolher?

Essa resposta não está nos juros de amanhã, que ninguém conhece. Está no seu prazo: quando você vai precisar desse dinheiro, e quanto de oscilação aguenta até lá. Quem pode segurar até o vencimento nunca vê a oscilação virar perda. Quem talvez precise sair antes deveria saber, desde o primeiro dia, que o caminho balança.

Existe ainda um terceiro combinado, que mistura uma taxa fixa com a inflação. Ele merece uma conversa própria, e será o próximo texto desta série.

Resumo em uma frase: na renda fixa, o que é fixo é a regra, não o caminho, e conhecer a regra antes de entrar é o que separa surpresa de tranquilidade.

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